A fila anda e o bonde passa

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Hoje o texto é filosófico, sem gracinhas porque acordei introspectiva (e delicada como um coice de mula). Então vamos lá. Já parou pra pensar em quantas coisas incríveis você poderia ter vivido se não fosse… sabe, né? A perda da oportunidade. Vamos confabular sobre aquele momento que você pensou demais e passou. Chegou outro na frente ou simplesmente a coisa não aconteceu porque você não quis. Isso mesmo, camarada, você é que não quis. A escolha é sempre sua. Porque a falta de uma ação, de uma palavra que poderia e/ou deveria ser dita, de um gesto, ou mesmo pelo excesso de desprezo… a coisa toda degringola e aí então “Inês é morta” (se não entendeu o ditado, procura do Google que ele te explica).

Aí você pensa: “mas nem sempre depende de mim”. Ok é verdade. Mas você é uma parte importante para fazer com que o caminho tome o rumo que você quer que tome, entende? O emprego que você não largou por medo de arriscar, um convite que você recusou porque estava com preguiça de sair de casa e descobriu que perdeu a melhor festa dos últimos tempos, um curso que poderia ter feito a diferença na sua vida, uma gata sensacional que você só percebeu que era sensacional depois que não prestou atenção e ela te deu um pé na bunda, aquela grana que você não economizou pra fazer a viagem com a galera. Pois é, todo dia tem um monte de coisas que você poderia ter feito, não fez e aí a fila não anda, ela corre.

Esses dias li em algum lugar que temos a impressão que o tempo passa mais rápido a cada ano. O texto dizia, em explicação grosseira, que isso acontece porque deixamos as coisas entrarem na rotina, porque não experimentamos ou fazemos algo novo, porque não comemoramos, etc etc. Conforme os anos passam fazemos tudo no automático. E não estou falando que temos que fazer ou estar em eventos bombásticos o tempo todo. Refiro-me a pequenas felicidades, a olhar com mais carinho para sua própria vida e aos detalhes dela. E aos outros detalhes que podem fazer os momentos se tornarem especiais e menos possíveis de caírem no esquecimento.

É… a vida é complexa. Mas é por isso que é boa. E por causa de todas as porradas que ela me deu, como diria Hank, ou Bukowski se preferirem, aprendi a tomar as rédeas dela porque se o bonde passar, meu amigo, só vai nos restar uma estação vazia. E até ela encher…

 

Por Débora Bordin

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