Intimidade é uma merda

1509 0

Ah, a intimidade… uma delícia quando você se sente íntimo de alguém. Você pode falar tudo o que pensa e a pessoa vai entender. Você pode fazer tudo que a pessoa vai aceitar. Você tem tooooda liberdade com a pessoa que é íntima sua, né? Será?

Outro dia um amigo meu me deu a sugestão de escrever sobre o “peido conjugal”. Não foi exatamente com essas palavras, mas o assunto sugerido era esse. “Você acha que tá liberado soltar uns peidos perto da namorada?”. Como eu tenho certa intimidade com ele, eu disse: “Cê tá louco?”.

Não, minha gente, não peidem perto de suas namoradas/namorados. A menos que você esteja doente e não tenha condições de se segurar para ir a um lugar adequado e fazer suas necessidades e não incomodar as pessoas a seu redor com o cheiro que vem do seu intestino. Assim mesmo, sem vírgula. Acreditem ou não, peidos, arrotos e outras “intimidades” que são suas, só suas, acabam com o tesão da maioria das pessoas. Pelo menos o meu. A menos que vocês entrem num acordo e achem isso lindo e erótico. Aí é um problema sexual de vocês.

Outro velho amigo já dizia: “Dá um real, mas não dá intimidade”. O duro é que tem gente que você não dá um real, nem intimidade e a pessoa já acha que é seu amigo de infância. Aí, meu amigo, sua paciência é que vai te orientar sobre o que fazer. Eu, por exemplo, sou delicada como um coice de mula. Já mando logo um “não te dei intimidade pra isso, meu querido”, sempre com um sorriso no rosto, claro. (O “querido” é de lascar, né?)

Mas temos outros exemplos belíssimos, como aquele tio que você não vê há anos, se hospeda na sua casa e começa a andar de cueca, põe o pé no sofá, faz xixi com a porta aberta, faz piadas sem graça sobre você na frente de outras pessoas, faz piadas sem graça com seus amigos (que ele acabou de conhecer e acha que é íntimo) na sua frente e na de outras pessoas, fica fazendo perguntas indiscretas na frente da sua família… Eu falei tio, mas pode usar cada exemplo para sua própria doutrina, meu amigo.

Mas intimidade é bom. Excesso de intimidade (ou achar que tem) é que complica. E antes que você esbraveje, eu estou falando de excesso de in-ti-mi-da-de, não de cumplicidade. A cumplicidade é boa e essa só pode ser conquistada ao longo do tempo. É tão boa, que até aquele peido (não o conjugal, o outro) que você deu no meio de todo mundo, o seu cúmplice sabe que foi seu. E não vai contar pra ninguém. E ainda vai te dar um sorrisinho que você sabe significar: “esse foi foda”.

 

Por Débora Bordin

Sobre o Autor