Lantejoulas e paetês: um colóquio sobre a roupa alheia

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Talvez eu seja um pouco dura, já vou avisando. Mas a vida também é, então conforme-se. Focando no assunto… fui criada subindo em árvores, usando tênis e jogando vôlei na rua, por isso não consigo me vestir de Barbie o tempo todo. Na verdade é bem difícil eu me vestir de Barbie, mesmo minha mãe achando lindo quando apareço “de menina” na frente dela. Por conta desse meu estilo casual day quase que sempre, eu observo certas práticas de moda com certo preconceito, admito. E antes que você pense (pois, pasmem, tive que ouvir isso), não é recalque. É apenas uma conversa entre amigos pra falar mal da roupa alheia e tentar ajudar, ok?

Vamos lá. Não consigo entender a necessidade que muitas mulheres têm de exagerarem na produção para, por exemplo, irem a um bar de rock. Não existe nada mais informal do que um bar de rock/blues. Tudo bem, hoje em dia está cada vez mais difícil se destacar na multidão, mas… lantejoulas? Misturadas com animal print???

Tá bom, sou velha e falo lantejoula. O nome do acessório brilhoso que serve para ser bordado em roupas de festa é “paetê”. Prestem atenção no que escrevi: “em roupas de festa”. Confesso que na noite que falei sobre isso com uns amigos, eu estava usando uma blusa (preta, de algodão) que tinha uns ~paetês~ no ombro. Mas, peloamor, não era inteira de paetêêê! Meninas queridas, por favor, usem o bom senso. Se você se vestir de árvore de natal toda vez que sair pra balada, você nem vai ser percebida quando tiver que usar a árvore de natal num casamento. Entendeu o meu ponto de vista?

Uma vez perguntei para uma amiga minha por que ela vivia de cabelo preso. Ela sabiamente me respondeu que era para que as pessoas achassem-na bonita quando os soltasse. Olha a profundidade dessa argumentação, minha gente! Se você viver com um abacaxi sobre sua cabeça, daqui a pouco ninguém nem vai perceber e você não vai mais conseguir ser notada. Ou será lembrada como aquela que vive querendo se aparecer com aquele abacaxi na cabeça!

Então, amada (sintam a ironia), quando for sair para baladinha preferida, evoque a Nossa Senhora Glorinha Kalil das Moças Exageradas sem medo. Aí quem sabe você vai conseguir não cometer o equívoco de ir a um casamento de chinelo/vestido branco, ou ao universo sertanejo de vestido longo/camiseta do Iron Maiden, ou ao blues e rock de bota/chapéu/fivelão… essas coisas. Não que você não possa ir, claro que pode. Mas, gata, vai chamar uma atenção errada e não queremos isso, né? Queremos que seu brilho seja maior que o das lantejoulas da sua linda roupa. Ops, “dos paetês” dela.

 

Por Débora Bordin

 

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