As virtudes do VIRTUS

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Eu, que tinha encomendado o Polo HL, fui fazer o testdrive no Virtus. E depois fui fazer um testdrive no Focus SE Plus 2.0 powershift pra desintoxicar, e trago aqui pra vcs as minhas impressões. Senta que lá vem textão!

Por mais que se baseie no Polo, o Virtus tem uma interessante identidade própria. A traseira muito puxada pro Jetta e A3 sedan, tem um “quê” de Passat antigo, o que lhe dá um charme a mais. Visto de lado, é um carro bem bonito e que parece maior do que realmente é. Por trás, realmente se destaca. Quanto ao interior, matei minha primeira curiosidade: o espaço no banco traseiro.

Ajustei o banco do motorista para mim que tenho 1,80m, gosto de dirigir em posição baixa, com o volante próximo ao peito e pernas bem relaxadas, e fui sentar lá atrás. A cabeça ficou no limite do espaço. Talvez um solavanco mais forte me machuque ali. Mas as pernas ficaram com espaço de sobra, muita sobra! Fiquei cabreiro com aquilo e fui repetir o mesmo teste no Jetta, no próprio Polo, e num Golf Variant que estavam no showroom da concessionária. E constatei que o Virtus é mais espaçoso do que todos eles. E a diferença é grande. O que me levou à pergunta: porque não fizeram com o Golf Variant o trabalho que foi feito no Virtus para alongar o entreeixos, já que o Golf também usa plataforma MQB? Deixo essa para os engenheiros da VW.

Voltando ao tema. No interior, além do espaço, nenhuma novidade em relação ao Polo, como todo mundo já sabe. Mas para mim, havia uma novidade: aquele hipnotizante painel digital. Eu não havia visto pessoalmente ainda e me surpreendi demais. Porque não é só o painel digital em si. A grande atração é a interação dele com a central Discover Media por meio de fibra ótica. A qualidade gráfica e rapidez dos comandos impressiona realmente. Vai ser difícil se cansar do carro, pois há entretenimento ali pra dar e vender. Então fomos ao teste propriamente dito. E vocês sabem como é testdrive de concessionária, né? Pouca liberdade, trajeto propositalmente travado e uma vendedora morrendo de “cagaço” ao lado. Pra falar a verdade, achei o Polo um pouco mais arisco. A princípio, por causa dos quilos a mais do Virtus. Mas depois de alguns minutos entendi que o culpado disso não era o peso, e sim o entreeixos. Em linha reta, hatch e sedã se equivalem. Ao fazer curvas, percebe-se que o Virtus é um carro mais neutro e seu rodar é mais macio por conta dos pneus de perfil mais alto. É um carro que aceita ser levado ao limite sem deixar de ser “tranquilo”. Se isso é bom ou ruim, é o gosto pessoal de cada um que vai dizer. Andando “na maciota”, o câmbio troca as marchas bem cedo e sem que o motorista perceba.

O Virtus, apesar do peso maior, tende a consumir menos na estrada do que o Polo. Porque? Em razão da aerodinâmica. Carrocerias tipo hatch geram uma turbulência quando o ar sai, “puxando” o carro pra trás. No sedã isso não acontece. Na cidade a tendência é o Virtus beber pouco a mais por causa do peso.

Terminado o teste no Virtus, fui na loja da Ford, exatamente ao lado. Como vejo muitos comentários dizendo: “ah mas pelo preço do Virtus eu pego um Focus, que é de categoria superior”. Então eu fui lá descobrir se isso é verdade e se o Focus é realmente melhor do que a dupla Polo/Virtus.

Mirei direto na versão SE PLUS 2.0 com Powershift (que eles mudaram o nome pra ver se esquecem do filme queimado). Preço do Focus (tanto hatch quanto fastback): 93.500, com bônus cai para 89.900.

Visualmente falando, considero um carro bem interessante. A frente é bonita, no padrão Ford a la Aston Martin. Por dentro, tem painel com soft touch, e uma impressão visual muito boa. Melhor que a do Polo/Virtus? Depende. O som do fechamento das portas é seco e dá impressão de carro usado. Nas portas só plástico duro, assim como no Virtus. Apesar de o painel ter revestimento soft-touch, o acabamento final é deficiente. O sistema Sync é de boa qualidade e o computador de bordo é completo, mas não chega ao nível de refinamento da dupla da VW. Quanto ao nível de equipamentos, o Focus tem basicamente tudo que tem no Virtus Highline, menos o portaluvas refrigerado e outros detalhes, mas o principal está lá. Em movimento, o Focus dá impressão de ser mais esperto, principalmente por ser aspirado e não sofrer o lag da turbina existente no Virtus/Polo. Mas no frigir dos ovos, o maior peso do Focus joga contra e os dois acabam sendo equivalentes em desempenho. A suspensão do Focus é um show à parte, de fato. O sistema multilink se faz notar nas curvas, principalmente quando há ondulações. Mas essa vantagem é em parte apagada pela direção elétrica muito anestesiada. Já no Virtus a direção “conversa” melhor com quem dirige. O powershift é rápido e silencioso, mas o tiptronic Aisin também é. Não notei grande diferença nesse aspecto, com uma ressalva: no modo manual, o software que comanda os paddleshifts no Focus é mais lento do que no Virtus, o que anula a pretensa vantagem do câmbio de dupla embreagem nessa modalidade de condução. Resumo da ópera: o Virtus mais caro, como todos os opcionais possíveis, chega a 87 mil. O Focus cujo nível de equipamentos se aproxima do Virtus de topo, começa em 89.900. Sinceramente, por mais que o Focus seja de uma categoria superior, o Virtus está um passo à frente. Há pontos a melhorar no quesito acabamento, mas isso é comum também ao modelo da Ford.

Escolher entre um ou outro dependerá basicamente do que você quer em um carro: se for uma questão de status, o Focus pode trazer o que você busca. É um ótimo carro. Mas quando se coloca na balança pacote tecnológico, confiabilidade, prazer ao dirigir, consumo e custo de manutenção, é difícil argumentar contra a dupla Polo/Virtus.

por Fabio Callado do Blog Cabeça Tronco e Rodas

(fotos Divulgação/Volkswagen)

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